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Top 10 Jack Nicholson: os melhores filmes de uma das maiores lendas de Hollywood

De O Iluminado a Um Estranho no Ninho: confira nosso ranking com os 10 melhores filmes de Jack Nicholson e os papéis que marcaram sua carreira.

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melhores filmes de Jack Nicholson

Poucos atores carregaram tanta presença, personalidade e imprevisibilidade em frente às câmeras quanto Jack Nicholson. Com uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, Nicholson conseguiu ser protagonista, coadjuvante, vilão, anti-herói, comediante e figura perturbadora sem perder aquilo que sempre o tornou reconhecível: o olhar malicioso, o sorriso inconfundível e uma capacidade quase única de dominar qualquer cena.

Com 12 indicações ao Oscar e três vitórias, o ator construiu uma filmografia que passa pela Nova Hollywood, pelo cinema de autor dos anos 1970, por grandes produções dos anos 1980 e 1990 e até por alguns dos maiores sucessos comerciais de sua geração.

Selecionamos dez filmes fundamentais para entender por que Jack Nicholson permanece como um dos grandes nomes da história do cinema.

10. Easy Rider — Sem Destino (1969)

Easy Rider acompanha Wyatt e Billy, dois motociclistas que atravessam os Estados Unidos em busca de liberdade enquanto encontram pelo caminho uma América cada vez mais intolerante com tudo aquilo que foge do padrão.

Jack Nicholson nem sequer é um dos dois protagonistas. Ele aparece como George Hanson, um advogado alcoólatra que se junta aos viajantes durante parte da jornada.

E foi o suficiente para mudar sua carreira.

Nicholson injeta humor, fragilidade e uma estranha inocência no personagem, roubando diversas cenas de Peter Fonda e Dennis Hopper. Seu desempenho lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de ator coadjuvante.

É um papel relativamente pequeno se comparado aos trabalhos posteriores, mas essencial para compreender o nascimento do Jack Nicholson que Hollywood conheceria nas décadas seguintes.

9. As Confissões de Schmidt (2002)

Em As Confissões de Schmidt, Nicholson interpreta Warren Schmidt, um homem que construiu toda a própria existência ao redor do trabalho e da família.

Quando se aposenta e perde a esposa pouco tempo depois, Schmidt percebe que não sabe exatamente quem é quando todas essas estruturas desaparecem.

O resultado é uma das atuações mais contidas de Nicholson.

Em vez das explosões pelas quais ficou conhecido, o ator trabalha com silêncio, frustração e uma profunda sensação de inutilidade.

Schmidt decide viajar para impedir o casamento da filha e, ao mesmo tempo, passa a escrever cartas para uma criança que apadrinha na Tanzânia. Aos poucos, essas correspondências se transformam quase em um confessionário.

Nicholson recebeu mais uma indicação ao Oscar pelo papel, mostrando que não precisava levantar a voz ou dominar uma sala para construir um personagem devastador.

8. Questão de Honra (1992)

Jack Nicholson não possui muito tempo de tela em Questão de Honra.

Mas dificilmente alguém termina o filme pensando nisso.

Tom Cruise interpreta Daniel Kaffee, jovem advogado da Marinha responsável pela defesa de dois fuzileiros acusados de matar um companheiro dentro de uma base militar.

A investigação o coloca no caminho do coronel Nathan R. Jessep, vivido por Nicholson.

Jessep acredita profundamente na hierarquia militar e na ideia de que determinados sacrifícios são necessários para manter a ordem.

É justamente no confronto entre Kaffee e Jessep que o filme alcança seu ápice.

Nicholson transforma poucas cenas em algumas das mais memoráveis de toda sua carreira. Sua atuação como Jessep lhe rendeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante.

7. Antes de Partir (2007)

Nem todos os grandes trabalhos de Nicholson precisam ser sombrios.

Em Antes de Partir, ele divide a tela com Morgan Freeman em uma história muito mais sentimental.

Nicholson interpreta Edward Cole, um bilionário acostumado a controlar absolutamente tudo ao seu redor. Freeman é Carter Chambers, um mecânico e homem de família.

Os dois se conhecem após receberem diagnósticos de doenças terminais.

Diante da perspectiva de que possuem pouco tempo restante, decidem criar uma lista de coisas que gostariam de fazer antes de morrer.

O que começa como uma aventura por diferentes partes do mundo gradualmente se transforma em uma reflexão sobre amizade, família, arrependimento e a maneira como escolhemos utilizar nosso tempo.

A química entre Nicholson e Freeman é o verdadeiro coração do filme.

6. Chinatown (1974)

Se existe um filme capaz de resumir a força de Jack Nicholson durante os anos 1970, esse filme é Chinatown.

Dirigido por Roman Polanski, o clássico acompanha o detetive particular Jake Gittes, contratado inicialmente para investigar um suposto caso de infidelidade.

O que parecia um trabalho relativamente simples começa a revelar uma gigantesca rede de corrupção envolvendo água, propriedades, dinheiro e algumas das pessoas mais poderosas de Los Angeles.

Nicholson constrói Gittes como um homem inteligente e confiante que lentamente percebe estar entrando em um jogo muito maior do que consegue controlar.

A atuação lhe rendeu uma indicação ao Oscar, enquanto o filme recebeu 11 indicações e venceu por seu roteiro original, escrito por Robert Towne.

Mais do que um grande filme de investigação, Chinatown é um dos maiores exemplos do neo-noir americano.

5. Batman (1989)

Antes de Heath Ledger, Joaquin Phoenix e das inúmeras versões modernas do Coringa, houve Jack Nicholson.

O Batman de Tim Burton mudou para sempre a maneira como Hollywood enxergava adaptações de super-heróis.

Michael Keaton interpreta Bruce Wayne, enquanto Nicholson assume o papel de Jack Napier, criminoso que após um acidente envolvendo produtos químicos se transforma no Coringa.

Nicholson abraça completamente o exagero do personagem.

Seu Coringa é engraçado, monstruoso, teatral e imprevisível.

É impossível separar o vilão da personalidade do próprio ator: o sorriso, os gestos exagerados e a maneira como Nicholson ocupa cada cena parecem ter sido feitos especificamente para o personagem.

Mesmo décadas depois, sua interpretação continua sendo uma das mais importantes versões do Coringa fora dos quadrinhos.

4. Melhor é Impossível (1997)

Melvin Udall talvez seja um dos personagens mais difíceis da carreira de Nicholson.

Ele é um escritor de romances extremamente bem-sucedido, mas também um homem obsessivo, intolerante, rude e praticamente incapaz de manter relações humanas normais.

Sua rotina começa a mudar quando precisa cuidar do cachorro de seu vizinho Simon e se aproxima de Carol, garçonete interpretada por Helen Hunt.

O mérito de Nicholson está em encontrar humanidade em alguém que frequentemente faz de tudo para afastar qualquer possibilidade de simpatia.

A transformação de Melvin não acontece de maneira simples ou milagrosa. Ele continua complicado, desagradável e cheio de problemas.

Mas começa a tentar.

O desempenho rendeu a Nicholson seu terceiro Oscar, enquanto Helen Hunt também venceu como melhor atriz.

3. Os Infiltrados (2006)

Martin Scorsese reuniu Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Wahlberg, Martin Sheen e Alec Baldwin em Os Infiltrados.

E mesmo dentro desse elenco, Jack Nicholson conseguiu criar um personagem impossível de ignorar.

Ele interpreta Frank Costello, poderoso chefe da máfia irlandesa de Boston.

Billy Costigan, vivido por DiCaprio, infiltra-se em sua organização enquanto Colin Sullivan, interpretado por Damon, trabalha dentro da polícia como informante de Costello.

O resultado é um jogo constante de paranoia no qual os dois lados tentam descobrir quem está infiltrado entre eles.

Nicholson transforma Costello em uma figura quase animalesca.

Ele pode parecer divertido em um momento e absolutamente aterrorizante segundos depois.

É uma atuação propositalmente excessiva e justamente por isso funciona tão bem dentro do universo criado por Scorsese.

2. O Iluminado (1980)

Jack Torrance é provavelmente o personagem mais reconhecível da carreira de Jack Nicholson.

Dirigido por Stanley Kubrick e baseado no livro de Stephen King, O Iluminado acompanha Jack, Wendy e o pequeno Danny durante o inverno no isolado Hotel Overlook.

Jack aceita trabalhar como zelador do local enquanto tenta escrever um livro.

Mas o isolamento começa a revelar algo profundamente errado no hotel e dentro do próprio personagem.

Nicholson transforma lentamente Jack Torrance em uma presença monstruosa.

Seus olhares, explosões de raiva e mudanças repentinas de comportamento ajudam a criar uma sensação constante de que algo terrível está prestes a acontecer.

Há um debate antigo sobre o fato de Nicholson já parecer instável desde o começo do filme.

Mas também é justamente essa característica que torna sua interpretação tão perturbadora: desde os primeiros minutos existe alguma coisa errada com Jack.

Quando finalmente perde completamente o controle, Kubrick e Nicholson entregam algumas das imagens mais reconhecíveis da história do terror.

1. Um Estranho no Ninho (1975)

No topo da lista está o papel que talvez melhor sintetize tudo aquilo que Jack Nicholson fazia de melhor.

Dirigido por Miloš Forman e baseado no romance de Ken Kesey, Um Estranho no Ninho acompanha Randle Patrick McMurphy, um homem transferido para uma instituição psiquiátrica após tentar escapar de uma pena de prisão.

McMurphy rapidamente percebe que os pacientes vivem sob o controle rígido da enfermeira Ratched.

Inconformado, começa uma pequena rebelião dentro da instituição.

Nicholson é engraçado, explosivo, carismático e profundamente humano.

McMurphy não é exatamente um herói tradicional. É irresponsável, vulgar e frequentemente egoísta.

Mas sua presença desperta algo nos outros pacientes.

Ele representa uma possibilidade de liberdade em um ambiente construído para eliminar qualquer individualidade.

O filme conquistou os cinco principais Oscars: melhor filme, direção, ator para Nicholson, atriz para Louise Fletcher e roteiro adaptado. Foi apenas o segundo longa da história, até aquele momento, a realizar essa façanha.

É difícil imaginar outro personagem que represente melhor Jack Nicholson.

Rebelde, imprevisível, divertido e trágico.

Uma carreira difícil de resumir em apenas dez filmes

Qualquer lista com apenas dez trabalhos de Jack Nicholson inevitavelmente deixará grandes filmes de fora.

Cada um Vive Como Quer, O Destino Bate à Sua Porta, Laços de Ternura, A Honra do Poderoso Prizzi e Ironweed poderiam facilmente aparecer em outro ranking.

Esse talvez seja o maior indicativo da dimensão de sua carreira.

Pouquíssimos atores conseguiram atravessar tantos gêneros, diretores e períodos diferentes de Hollywood mantendo uma personalidade cinematográfica tão forte.

Jack Nicholson nunca foi apenas um ator capaz de interpretar personagens excêntricos.

Nos seus melhores trabalhos, ele fazia algo ainda mais difícil: transformava homens complicados, desagradáveis e muitas vezes perigosos em personagens dos quais simplesmente não conseguíamos desviar os olhos.

Danilo Bertozzo
AUTOR

Danilo Bertozzo

Falo sobre cultura pop nas redes sociais e sou considerado o "prego" dos filmes na minha bolha. Santista, Jornalista, Fã do Batman, criador do Lâmpada Nerd e Designer Gráfico.