As Novas Aventuras do Batman chegou em 1997 mantendo a continuidade de Batman: A Série Animada, mas com uma mudança visual tão grande que, para muita gente, parecia outra série. Os traços ficaram mais angulares, as formas mais simples e o elenco inteiro foi ajustado para combinar melhor com o estilo que a DCAU (DC Animated Universe) adotaria nos anos seguintes.
A própria DC reconhece que a fase trouxe redesigns para vários personagens, além de colocar mais foco na Bat-Família. O resultado, porém, foi irregular: alguns visuais se tornaram versões definitivas dos personagens; outros perderam personalidade no processo.
Os redesigns que ficaram melhores
Espantalho

É o caso mais fácil de defender. O Espantalho deixou de parecer apenas um criminoso fantasiado e ganhou uma aparência quase sobrenatural, com rosto cadavérico, chapéu largo e uma corda no pescoço. Para um vilão cuja principal arma é o medo, o novo design finalmente fazia jus ao conceito.
Batman

O uniforme perdeu o símbolo amarelo no peito e os detalhes azuis da capa, adotando cinza e preto quase absolutos. A silhueta ficou mais limpa e agressiva. O Batman da fase anterior tinha mais textura visual, mas a versão de TNBA é mais icônica como desenho gráfico e antecipa boa parte do visual que Bruce Timm levaria adiante no DCAU.
Batgirl

Barbara Gordon também saiu ganhando. O uniforme preto, com detalhes amarelos e linhas muito mais simples, dá à personagem uma identidade própria e combina melhor com o restante da equipe. É uma mudança radical sem perder o reconhecimento imediato.
Pinguim

Na série original, o personagem carregava forte influência do visual de Batman Returns. No redesign, ele volta a ser um criminoso elegante, com aparência mais próxima do tradicional Oswald Cobblepot dos quadrinhos. Menos grotesco e mais sofisticado.
Os redesigns que ficaram piores
Coringa

Provavelmente a mudança mais controversa. O Coringa perdeu os lábios vermelhos, ganhou olhos escuros quase sem pupilas e teve o rosto simplificado ao extremo. A intenção de criar uma aparência de “caveira sorridente” é interessante, mas o resultado sacrifica boa parte da expressividade que tornava o personagem tão marcante na série original.
Charada

O elegante terno verde da fase anterior deu lugar a um visual extremamente simplificado, careca e vestido com uma roupa colada ao corpo. Curiosamente, a própria DC já observou que esse redesign sofreu influência da direção visual de Batman Forever. Funciona como experimento, mas perde quase todo o charme do Edward Nygma anterior.
Chapeleiro Louco

Jervis Tetch ficou muito menor, mais cartunesco e próximo de uma caricatura de ilustração infantil. É coerente com a inspiração em Alice no País das Maravilhas, mas também reduz a presença física e a estranheza humana que o personagem tinha antes.
Mulher-Gato

Selina Kyle ganhou um uniforme totalmente preto e uma aparência ainda mais minimalista. O problema é que o design simplifica demais rosto, cabelo e roupa, deixando a personagem visualmente menos distinta. O preto funciona para a Mulher-Gato, mas aqui parte do charme noir da versão anterior desaparece.
Uma mudança necessária, mesmo quando não funcionava
O redesign de The New Batman Adventures pode ser discutido personagem por personagem, mas teve um papel importante: estabelecer uma linguagem visual mais uniforme para o universo animado da DC. A simplificação ajudou a aproximar Batman de Superman: A Série Animada e abriu caminho para produções como Batman Do Futuro, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites.
Nem tudo envelheceu bem, mas a ousadia do projeto continua evidente. E poucas mudanças mostram isso tão claramente quanto colocar, lado a lado, o excelente novo Espantalho e o divisivo novo Coringa.
Para outra leitura sobre o personagem fora da animação, confira também a nossa crítica de The Batman.
