6.5
Nota Lâmpada Nerd
CRÍTICA

Liga da Justiça de Zack Snyder (2021)

DireçãoZack Snyder

A Liga da Justiça de 2017 foi um fracasso absoluto em termos de crítica e bilheteria, devido à falta de visão dos acionistas da Warner, que minaram de todas as formas imagináveis a visão sombria e violenta de Zack Snyder para os heróis do DCEU. Após o divisivo Batman V Superman, a internet, críticos e fãs se dividiram entre aqueles que amaram as decisões do diretor e aqueles que as odiaram com fortes motivos, agora, em 2021, Zack Snyder teve a oportunidade de retomar sua visão em uma versão de 4 horas feita exclusivamente para a HBO Max, e o resultado não poderia ser mais gratificante.

O novo corte do diretor concentra-se exclusivamente nas dores e motivações que levam os personagens da Liga da Justiça a lugares que os fãs desejavam há muito tempo. Seja o Superman otimista e sorridente, um Batman mais leve e menos violento, ou uma Mulher-Maravilha inspiradora para todos aqueles que se identificam com a personagem. Os super-heróis de Snyder apareceram caídos e destruídos pela primeira vez em Batman V Superman, onde temos um Batman extremamente violento e cansado de todo o ódio em Gotham City, um Superman depressivo que se sacrifica por um bem maior após um momento de exclusão levemente depressivo e uma Mulher-Maravilha que havia abandonado a bondade e a justiça por quase 100 anos. Em Liga da Justiça de Zack Snyder, esses personagens encontram sua redenção e se tornam os heróis otimistas e sorridentes dos quadrinhos, assumindo seus papéis como deuses entre nós.

Snyder sabe muito bem como aproveitar ambas as transformações dos personagens, desde as incríveis cenas de ação de uma Mulher-Maravilha guerreira que traz aspectos dos espartanos, até a angústia de um Cyborg que evoca elementos dos personagens Watchmen. O diretor utiliza as camadas e profundidades desses personagens de forma precisa ao longo das 4 horas, sem pedantismo e, muito menos, tédio. Além disso, Snyder entende que um filme da Liga da Justiça precisa de cenas de ação e aqui elas estão presentes durante todo o filme, desde a incrível batalha das Amazonas contra o Lobo da Estepe até o embate final da Liga da Justiça com ele. O diretor mantém controle total de sua câmera e seu clássico estilo de slow-motion, que funciona de maneira esplêndida. Todas as tomadas diminuídas por Snyder nos dão a sensação de estar assistindo a uma graphic novel de luxo.

Mas não é apenas a direção de Snyder que se destaca aqui. A trilha sonora de Junkie XL é um dos pontos mais altos do filme, com destaque para os temas do Superman e da Mulher-Maravilha, que, diferentemente da versão de 2017, aqui são transformadas em versões épicas que evocam sua energia nos momentos necessários. Junto com a incrível fotografia de Fabian Wagner, que assim como Zack Snyder, gosta de transmitir momentos incríveis em tela, remetendo a pinturas, estátuas e figuras religiosas. A fotografia de Wagner está excepcionalmente bem distribuída no formato 4:3 escolhido pelo diretor, todo o aspecto e a profundidade são bem encaixados e não estranham os olhos daqueles que acharam esta uma decisão estranha. Ao longo dos 10 primeiros minutos do filme, você não percebe a diferença e fica completamente imerso naquele espaço confinado, que transforma as ações e personagens em tela ainda maiores.

Dentre seus temas, paternidade e solidão são alguns dos pontos abordados por Snyder de forma sensível e brilhante, seja na excelente história do Cyborg, que de fato é o coração do filme, ou no pequeno drama de Barry Allen, que com poucos minutos de cena emociona com um soco no estômago imprevisível e necessário para aqueles que têm relações conturbadas com seus pais. É justificável toda a raiva de Ray Fisher com a Warner Bros, tendo em vista que 90% das cenas do personagem foram cortadas e alteradas na versão morna de 2017. No Snyder Cut, o Cyborg é um dos personagens mais bem trabalhados e um dos heróis que mais nos acompanham na jornada, e absolutamente todas as decisões tomadas por ele nos fazem vibrar e aplaudir o trabalho de Snyder, que retoma sua visão de grande visionário. Tanto o Cyborg quanto os outros personagens também se destacam com efeitos especiais incríveis, como o próprio Lobo da Estepe, que tem seu visual renovado e finalmente se transforma em uma ameaça ao nível da Liga da Justiça, ou até mesmo Darkseid, que não tem tanto tempo de tela (como já esperávamos), mas preenche muito bem seu papel como uma gigantesca ameaça que está por vir. Entre os destaques também estão o Coringa de Jared Leto, que tem uma pequena e significativa participação no filme, e a presença de um personagem secreto que muitos fãs estavam esperando.

O Snyder Cut de Liga da Justiça pode não ser o filme que você queria, mas é o filme que você precisava. A batalha dos fãs valeu a pena e os 4 anos de espera se transformaram em 4 horas de puro deleite para aqueles que amam a visão de Snyder e, acima de tudo, um presente para aqueles que pediam versões mais leves dos personagens da DC Comics. Se a DC/Warner/HBO vão continuar o trabalho de Zack Snyder em um universo paralelo é um mistério, mas que nós, como fãs, vamos continuar pedindo continuidade a esta obra de arte, não existem dúvidas.

Danilo Bertozzo
AUTOR

Danilo Bertozzo

Falo sobre cultura pop nas redes sociais e sou considerado o "prego" dos filmes na minha bolha. Santista, Jornalista, Fã do Batman, criador do Lâmpada Nerd e Designer Gráfico.