De ‘Um Dia’ ao futuro: Netflix defende final polêmico de hit atual e revela ambiciosa grade espanhola para 2026

A gigante do streaming vive um momento de contrastes: enquanto colhe os frutos (e as lágrimas) do sucesso global de sua mais recente adaptação literária, a empresa já movimenta o mercado com grandes apostas para o futuro do audiovisual europeu.

A fidelidade dolorosa de ‘Um Dia’

Não se fala em outra coisa nas redes sociais. A nova adaptação do best-seller de David Nicholls, “Um Dia”, estacionou no Top 10 da plataforma e parece não ter intenção de sair tão cedo. A série, que acompanha a complexa relação entre Emma (Ambika Mod) e Dexter (Leo Woodall) ao longo de duas décadas, pegou de surpresa tanto quem caiu de paraquedas na história quanto os fãs de longa data que já conheciam o livro ou o filme anterior, estrelado por Anne Hathaway.

O motivo de tanto burburinho, no entanto, carrega uma carga de controvérsia. Atenção, se você ainda não chegou ao fim da maratona, este trecho contém spoilers cruciais.

David Nicholls, autor da obra original, manteve-se irredutível quanto ao desfecho da trama. Desde o lançamento do livro em 2009, a conclusão abrupta do romance — que leva exatos 20 anos para se concretizar plenamente, apenas para ser interrompido por uma tragédia — divide opiniões. Na adaptação para a Netflix, a decisão foi respeitar a integridade da obra literária.

Mesmo diante das críticas de quem esperava um final “feliz para sempre”, Nicholls deixou claro que mudar o destino de Emma não era uma opção. No penúltimo episódio, quando o público finalmente vê o casal estabilizado, tentando ter um filho e planejando o futuro na casa nova, o choque da realidade se impõe, mantendo a narrativa fiel à visão original do escritor, por mais dolorosa que seja para os espectadores.

O futuro é espanhol: as apostas para 2026

Enquanto o público ainda processa o final de Um Dia, a Netflix reuniu a imprensa e a indústria em Madri para apresentar seu calendário de 2026. O evento serviu de vitrine para uma enxurrada de produções espanholas e internacionais, reafirmando o compromisso da plataforma com o talento local.

O palco do evento viu um desfile de pesos-pesados da atuação na Espanha apresentando projetos que já estão em fase de produção ou pós-produção. Entre os destaques confirmados para estrear ainda este ano estão títulos como “The Final Problem”, com Jose Coronado e Maribel Verdú, e “Berlin and the Lady with an Ermine”, expandindo o universo de La Casa de Papel com Michelle Jenner e Tristán Ulloa. A lista segue extensa, incluindo dramas e comédias como “Salvador”, “Murder in Galicia”, “The Child”, “53 Sundays” e “A Day Like No Other”, este último com a presença do cantor Raphael.

Produções em andamento e tramas reais

Durante a apresentação, a atenção se voltou para três novos projetos de grande envergadura que prometem dominar as conversas nos próximos anos.

O primeiro grande destaque é a minissérie “Lobo”. Escrita por Alberto Marini e Juan Galiñanes, a produção recém-iniciada traz Luis Tosar e Tristán Ulloa para contar uma história sombria baseada em fatos reais. A trama viaja até a Galícia rural do século XIX para explorar o caso de Manuel Blanco Romasanta, o primeiro assassino em série documentado da Espanha. Durante seu julgamento, Romasanta alegou ser um lobisomem, dando origem a uma lenda que perdura até hoje.

Já no campo do suspense contemporâneo, a aposta é “En nombre de otro”. O filme, escrito e dirigido por Oriol Paulo — conhecido por seus roteiros cheios de reviravoltas —, é descrito como um thriller acelerado onde as aparências enganam. O elenco estelar conta com Mario Casas, Blanca Suárez e Eduard Fernández.

Por fim, a Netflix anunciou um documentário que toca em uma ferida profunda da sociedade espanhola: “Miguel Ángel Blanco: las 48 horas que lo cambiaron todo”. Dirigido por Jon Sistiaga e Juanjo López, o filme revisita os dois dias de agonia em que o país inteiro prendeu a respiração, mobilizando milhões de pessoas na tentativa desesperada de impedir o assassinato de Miguel Ángel Blanco pelo grupo terrorista ETA. A obra foca não apenas na tragédia, mas no momento crucial em que a sociedade basca perdeu o medo e se uniu em solidariedade.